Nem tão azedo, nem tão doce: a medida certa pra trabalhar junto
Uma manhã no galpão para falar de respeito, convivência e do jeito que a Comercial Mendes acredita que toda boa parceria deve funcionar.
Uma manhã diferente no galpão
No dia 21 de outubro, o galpão da Comercial Mendes amanheceu de um jeito diferente. As caixas continuaram empilhadas ao fundo, mas o centro do espaço virou um auditório improvisado: cadeiras brancas, um telão, uma caixa de som e a equipe toda reunida.
O motivo foi a palestra "Nem tão azedo, nem tão doce: a medida certa pra trabalharmos juntos", conduzida pela Arcus Psicologia com as psicólogas Karine Barros e Yara. O tema era respeito, convivência e a força da equipe no dia a dia.
Pode parecer estranho parar a operação de uma distribuidora para falar de sentimentos. Mas quem trabalha com fruta sabe que tudo depende de cuidado: na colheita, no transporte, no armazenamento e na entrega. Com as pessoas não é diferente.
E a palestra usou exatamente essa linguagem. Cada ideia foi explicada com uma fruta, uma caixa ou uma situação que a equipe vive todos os dias no galpão. Assim, ninguém precisou de termo técnico para entender o recado.
Por que falar de gente numa distribuidora de frutas
A Comercial Mendes está há 60 anos no mercado de Brasília, com liderança em citrus e frota própria. Ao longo dessas seis décadas, uma coisa ficou clara: a fruta só chega bonita ao cliente quando a equipe que cuida dela está bem.
O trabalho no galpão é puxado. Tem horário, tem peso, tem pressa e tem gente com jeitos muito diferentes dividindo o mesmo espaço por horas. Nesse cenário, uma brincadeira mal colocada, uma fofoca ou um dia de mau humor descontado no colega pesam tanto quanto uma carga mal arrumada.
Por isso, investir no clima da equipe não é um "extra". É parte do trabalho. Uma equipe que se respeita trabalha com mais segurança, comete menos erros e cuida melhor do que entrega.
Tem também uma questão de saúde. O cansaço de um dia de trabalho não vem só do esforço físico. Vem da tensão, das discussões que ficam mal resolvidas e da sensação de não ser respeitado. Quando o ambiente é leve, o mesmo serviço pesa menos no fim do expediente. E quem volta para casa menos esgotado volta no dia seguinte com mais disposição.
A palestra foi organizada em quatro eixos: eu comigo, eu com os outros, eu em equipe e o propósito por trás do trabalho. Cada um começou com uma pergunta direta para a equipe pensar.
Eixo 1: eu comigo
O primeiro eixo falou de autopercepção e de respeito aos próprios limites. A comparação escolhida foi a das frutas de época e das frutas forçadas.
Fruta de época
Manga ou mamão que amadurecem no tempo certo têm sabor, vida e doçura natural.
Fruta forçada
Quando é forçada na química, fica bonita por fora, mas por dentro fica sem sabor e seca.
Com a gente acontece parecido. Quando alguém passa o dia fingindo que está tudo bem, sem reconhecer o próprio cansaço, uma hora isso aparece. E normalmente aparece em quem está mais perto.
A lição foi simples: não somos robôs. Todo mundo tem dia difícil. O importante é perceber quando ele chega, para não descontar o estresse no colega ao lado. Reconhecer o próprio limite não é fraqueza. É o que evita que um problema pessoal vire um problema da equipe inteira.
Eixo 2: eu com os outros
O segundo eixo tratou da diversidade de personalidades e dos limites de cada um. E aqui a palestra trouxe duas figuras que a equipe adotou na hora: as pessoas morango e as pessoas abacaxi.
Pessoas morango
São delicadas. Pedem manuseio leve e fala suave. Não são "frescas", são apenas sensíveis.
Pessoas abacaxi
Têm casca dura e aguentam o tranco, mas por dentro também têm doçura e sentimentos. Não dá pra jogar de qualquer jeito.
Quem trabalha com fruta entende essa imagem na hora. Ninguém trata uma bandeja de morango do mesmo jeito que trata uma caixa de abacaxi. Cada fruta pede um cuidado. Com as pessoas é igual: o que é brincadeira leve para um pode ser ofensa para outro.
E o abacaxi também merece atenção. A casca dura não significa que a pessoa aguenta tudo. Às vezes quem parece mais forte é justamente quem está segurando mais coisa calado.
A regra de ouro da brincadeira: só é brincadeira quando os dois acham engraçado. Se o colega calou ou fechou a cara, virou desrespeito.
Eixo 3: eu em equipe
O terceiro eixo falou de clima de trabalho e cooperação. A ideia central foi que pessoas diferentes, quando se respeitam, formam combinações muito melhores do que formariam sozinhas.
Combinações que somam
O ácido do limão com o doce da banana cria uma salada de frutas incrível. O colega acelerado junto com o calmo forma uma dupla imbatível.
O perigo de azedar a caixa
Banana madura demais no fundo da caixa esmaga e pode estragar as outras. Fofoca, teimosia e reclamação constante azedam o grupo inteiro.
Essa imagem é forte para quem vive o dia a dia de uma distribuidora. Todo mundo sabe o prejuízo que uma única fruta estragada causa numa carga. E todo mundo sabe também como um ambiente pesado deixa o dia mais longo e o corpo mais cansado.
O manual do time Mendes
Para fechar o eixo, a palestra deixou quatro atitudes práticas para o dia a dia:
- Foque no trabalho. Atenção no que está fazendo evita erro e acidente.
- Escute mais. Muito conflito nasce de gente que não ouviu o outro até o fim.
- Julgue menos. Você não sabe o que o colega está carregando além das caixas.
- Não alimente fofoca. A energia pesada dobra o cansaço do galpão.
Eixo 4: o propósito por trás de cada caixa
O último eixo foi talvez o mais emocionante. Ele falou de propósito, pertencimento e do valor do trabalho de cada um.
Quando a rotina aperta, é fácil esquecer o tamanho do que se faz. Mas cada caixa que sai do galpão da Comercial Mendes vai parar em um mercado, uma feira, um restaurante ou uma cozinha. No fim da linha, tem uma família colocando fruta na mesa.
Nenhuma fruta sem propósito
O limão é azedo mas dá sabor, o maracujá acalma e a banana dá energia. No galpão da Comercial Mendes, ninguém é descartável.
A marca no mercado
Uma fruta machucada estraga a caixa. Uma equipe dividida estraga a empresa. A reputação começa em como nos tratamos aqui dentro.
Essa última frase resume bem a mensagem. O cliente não vê o galpão, mas sente o resultado dele. Uma equipe unida entrega no horário, confere melhor a carga e trata a fruta com cuidado. Uma equipe dividida deixa isso escapar.
A nossa melhor colheita: o respeito entre as pessoas garante que a Comercial Mendes cresça, que o emprego de todo mundo fique seguro e que o dia a dia seja mais leve.
Parcerias duradouras, relações em que todos ganham
A palestra falou da equipe, mas a mensagem vai além do galpão. Ela traduz o jeito que a Comercial Mendes enxerga todas as suas relações.
Uma empresa não chega a 60 anos de mercado só vendendo fruta. Chega construindo relações que duram. E relação que dura é aquela em que os dois lados saem ganhando, sempre.
Com a equipe
Quem trabalha na Comercial Mendes é a base de tudo. Cuidar do bem-estar, do respeito e da segurança de cada colaborador é o primeiro passo para cuidar bem do cliente. Uma equipe valorizada se sente parte da empresa, e não apenas alguém que cumpre horário.
Com os clientes
Mercados, sacolões, restaurantes e comércios de Brasília contam com a Comercial Mendes para ter fruta boa na prateleira. A relação com cada cliente é tratada como uma parceria: fruta de qualidade, entrega pontual com frota própria e conversa aberta quando algo precisa ser ajustado. Quando o cliente vende bem, a Comercial Mendes cresce junto.
Com os produtores e fornecedores
Do outro lado da cadeia estão os produtores que confiam a sua colheita à distribuidora. Respeitar o trabalho deles, com negociação justa e compromisso, é o que garante fruta boa hoje e na próxima safra também.
Com parceiros como a Arcus Psicologia
A própria palestra é um exemplo disso. Trazer profissionais de fora para falar com a equipe é reconhecer que cuidar de gente também exige conhecimento. É uma parceria em que a equipe ganha ferramentas para o dia a dia, a empresa ganha um ambiente melhor e todo mundo cresce.
Por que o ganha-ganha é o único caminho
Relação em que só um lado ganha até funciona por um tempo, mas não se sustenta. O cliente que se sente prejudicado procura outro fornecedor. O produtor que não é valorizado vende para outra empresa. O colaborador que não é respeitado vai embora levando a experiência que construiu.
Já a relação equilibrada cria confiança. E confiança, para uma distribuidora, vale tanto quanto a própria fruta: é ela que faz o cliente ligar de novo na semana seguinte, o produtor separar a melhor carga e a equipe vestir a camisa todos os dias.
No fundo, o "nem tão azedo, nem tão doce" vale para qualquer relação. Não é sobre agradar todo mundo o tempo todo, nem sobre ser duro sem necessidade. É sobre encontrar a medida certa: respeito, honestidade e cuidado dos dois lados.
O compromisso que fica
A palestra terminou com um compromisso coletivo, que a equipe levou de volta para o trabalho:
Um recado simples, mas que muda o dia a dia quando é levado a sério. Na prática, ele cabe em poucas atitudes:
- Perceber o próprio dia e não descontar o cansaço em quem está do lado.
- Respeitar o jeito de cada um, seja morango ou abacaxi.
- Brincar só quando os dois acham graça.
- Somar no time, sem fofoca e sem reclamação constante.
- Lembrar do propósito: cada caixa bem cuidada chega à mesa de uma família.
A Comercial Mendes agradece à Arcus Psicologia e às psicólogas Karine Barros e Yara pela manhã de conversa com a equipe. E agradece, principalmente, a cada colaborador que parou, ouviu e participou.
Porque, no fim das contas, o respeito é a nossa melhor colheita. E é ele que sustenta as parcerias que a Comercial Mendes constrói há 60 anos, dentro e fora do galpão.
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